Automedicação é perigo para a saúde
25/7/2006 09:40:41 - www.saude.com.br
Entrevista - Dirceu Raposo de Mello
* Diretor-presidente da Anvisa
O uso indiscriminado de medicamentos é um dos assuntos que mais preocupam as autoridades de saúde no Brasil e no mundo. De acordo com dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), o percentual de internações hospitalares provocadas por reações adversas a medicamentos ultrapassa 10%. Para alertar a população sobre os riscos da automedicação, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) prepara uma série de filmes que tratam do assunto. Em entrevista ao Notícias da Saúde, o diretor-presidente da Anvisa, Dirceu Raposo de Mello, fala sobre os perigos do uso indiscriminado de medicamentos.
Notícias da Saúde - Que conseqüências o uso irracional de medicamentos pode trazer?
Dirceu Raposo de Mello - De acordo com o Sistema Nacional de Informações Tóxico-Farmacológicas (Sinitox) os medicamentos ocupam o primeiro lugar entre os agentes causadores de intoxicações em seres humanos. Somente em 2002, segundo o sistema, os medicamentos provocaram 26,9% do total de casos registrados. Quando as pessoas mantêm estoques de medicamentos em casa, tendem a expor, inclusive, as crianças, que também podem se tornar vítimas.
Notícias da Saúde - Que ações a Anvisa realiza para prevenir o uso inadequado de medicamentos?
Dirceu Raposo de Mello - Realizamos seminários em parceria com a Federação Nacional de Médicos e com a Federação Nacional de Farmacêuticos. Promovemos discussões sobre a influência da propaganda sobre os profissionais de saúde e a população, o que pode levar ao uso incorreto. Os debates servem para que a Anvisa planeje ações para difundir a importância do uso racional de medicamentos entre as categorias profissionais e a sociedade. A Anvisa também pretende criar cursos à distância sobre o assunto.
Notícias da Saúde - Existe alguma campanha educativa para conscientizar a população sobre os riscos da automedicação?
Dirceu Raposo de Mello - A Anvisa desenvolve estratégias de educação que atingem diversos segmentos da sociedade. As ações orientam sobre a promoção da saúde com enfoque no uso racional de medicamentos e outros produtos sujeitos à vigilância sanitária, nos perigos da automedicação e na influência da propaganda enganosa e abusiva. Desenvolvemos o "Projeto de Monitoração de Propaganda", resultado de um convênio da Agência com 19 universidades de todo o país para monitorar diferentes veículos de comunicação. As instituições conveniadas realizaram diversas ações de educação regionais com escolas de ensino básico, universidades e comunidade. Até o fim do ano, a Anvisa pretende lançar uma série de filmes, que inicialmente serão veiculados nas farmácias populares, sobre os riscos da aquisição e uso indiscriminado de medicamentos.
Notícias da Saúde - Que cuidados a população deve tomar no momento de comprar remédios?
Dirceu Raposo de Mello - Em primeiro lugar, as pessoas devem evitar recomendações de vizinhos, amigos, parentes ou mesmo de balconistas de farmácias ou drogarias. Tomar medicamentos de tarja só é aconselhável por recomendação médica. E, no momento de adquirir medicamentos de venda livre, (produtos considerados de baixo risco para tratar males menores e recorrentes), como dor de cabeça, os pacientes devem procurar orientações do farmacêutico. Vale lembrar que não se deve confundir o farmacêutico com o balconista da farmácia.
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