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Cada macaco no seu galho

30/8/2010 20:46:24 - crcpr.org.br

A polêmica estatização x privatização merece ser avaliada como um resíduo do confronto histórico entre as duas grandes ideologias – capitalismo e comunismo/socialismo - que propuseram soluções para problemas inarredáveis como a produção e a distribuição das riquezas, a divisão do trabalho, a propriedade, a livre iniciativa, etc.
As mudanças culminaram, no século passado, com um novo mapa mundi político, social e econômico: mais de 20 nações chegaram a adotar um regime em que tudo era centralizado no Estado, entendido como motor da história. Hoje restam apenas China, Cuba, Coreia do Norte, Vietnã, Laos, Chipre e Nepal. Nenhuma mais, porém, vivendo na forma original como foi concebida. O maior exemplo é a China onde o Partido Comunista ainda mantém o controle político mas a economia abre cada vez mais para o mercado, crescendo a passos gigantescos, a ponto de ser já a segunda economia do mundo, atrás apenas dos Estados Unidos.
Cabe uma avaliação séria, pois, de como temos lidado com a questão no Brasil. Comecemos pela análise das dificuldades que a Petrobras enfrenta no momento, amargando uma perda de R$ 60 bilhões no valor das suas ações. Paira a desconfiança de que essa crise tem como fundo o uso político e a interferência excessiva do governo na gestão da empresa.
Aqui no Paraná, temos o caso Banestado, um defunto que ainda rende votos a candidatos maquiavélicos que conseguem mexer com o sentimento dos eleitores, alegando que o banco era “nosso”. Segundo o deputado federal Reinhold Stephanes, que assumiu a missão de recuperá-lo antes de ser negociado, “o grande problema era a cúpula que vinha sendo nomeada historicamente (...) Até aquela época haviam sido abertos pelo Banco Central 70 inquéritos para apurar irregularidades administrativas envolvendo quase 500 pessoas”. O rombo era de R$ 2,5 bilhões em 1990. Stephanes afirma que uma das suas principais preocupações foi “isolar a questão política” que, cá entre nós, é erva daninha em praticamente todas as estatais.
Avalia-se que o Paraná perdeu muitos negócios, nos últimos anos, por causa do modo como o ex-governador Roberto Requião tratava investidores, principalmente de fora, a exemplo da Toyota, Yoko¬hama, Guardian, Monsanto, Norske Skog, Stora Enso, consórcio Dominó. Durante seu governo, o Paraná perdeu fatia considerável no Produto Interno Bruto (PIB) nacional, quando poderia, pela conjuntura favorável, ter ampliado essa participação.
A história parece ensinar que não convém misturar poder político com gestão empresarial. Cada macaco no seu galho. No máximo, regime de parceria para o bem geral na nação. Mas se o Estado faz questão de ter empresas, então que siga o figurino da competência, produtividade, lucro, transparência, responsabilidade social...

Paulo César Caetano de Souza
Presidente do CRCPR
 



(crcpr.org.br)

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